sexta-feira, 6 de maio de 2011

COMPONENTE CURRICULAR: SOCIOLOGIA 1º ANO – 2º BIMESTRE - 2011

Como se pode definir o processo de socialização?

A socialização pode ser definida como o processo de aprendizagem e interiorização de normas e valores, característicos de determinado meio social, do qual os indivíduos e os grupos são alvo, tendo assim como objetivo a integração do indivíduo na sociedade.

Inicialmente, quando o ser humano nasce, é apenas um organismo biológico sendo, portanto, um ser culturalmente em branco. Estabelecendo relações com o grupo social que a rodeia, a criança torna-se um ser cultural. Portanto, é possível afirmar que o comportamento do humano tem pouco de instintivo, resultando antes de um processo de aprendizagem. Este processo resulta da interação e comunicação com outros homens na sociedade e pelo legado cultural (material ou imaterial) transmitido de geração para geração.
 Através do contato com os outros indivíduos do ambiente grupal a que pertence, o ser humano adapta o seu comportamento às regras e aos valores implícitos no respectivo contexto social.
 Assim sendo, a socialização não é um ato determinado no tempo, mas, pelo contrário, um processo que decorre ao longo da vida de cada indivíduo.
Geralmente, considera-se a existência de dois tipos de Socialização:
  Primária -  Processo através do qual a criança estabelece relações com os outros elementos da sociedade, tornando-se um membro participante e tendo como principal influência o agente social família.
 Este processo é o mais importante, pois é onde há a criação de uma estrutura fundamental para toda a socialização do indivíduo e é aqui que se centra fundamentalmente o nosso projeto. Visto que estamos a estudar o comportamento das crianças, mais especificamente no seu início de vida, onde os pais têm um papel muito importante no que respeita à assimilação de normas, valores e padrões comportamentais. A família é o primeiro agente de socialização e também o mais importante, pois é na fase inicial da vida das crianças que estas assimilam com mais facilidade os valores que lhes são incutidos, isto porque nessa fase as suas relações baseiam-se nos afetos e, como tal, estas estão mais receptivas (funcionam como esponjas). No entanto, a família partilha cada vez mais a sua importância, como agente de socialização primária, com os infantários, onde as crianças passam a maior parte do tempo..
  Secundária – Processo posterior à socialização primária, por meio do qual o indivíduo aprende novos papéis, contribuindo para a formação complexa da personalidade do indivíduo.
 Este processo pode ser superficial no sentido de não exigir profundas mudanças, mas, por outro lado, também pode comportar grandes alterações na sua personalidade.
 Já sabemos que na socialização primária, a criança estabelece relações com os indivíduos integrantes de determinada cultura. Mas como se desenvolve o intelecto da criança?

 
Jean Piaget, um psicólogo suíço, defendia que a inteligência é constituída progressivamente, desde uma fase inicial, à qual chamou período sensório-motor, até à fase da inteligência operatória formal (conhecimento racional). Definiu quatro estádios de desenvolvimento, sendo estes flexíveis, pois o desenvolvimento do conhecimento em cada ser humano pode demorar mais ou menos tempo, de acordo com a sua cultura e o meio onde está inserido. Para definir essas quatro etapas, utilizou um sujeito epistémico que representa uma classe de indivíduos com o mesmo nível de desenvolvimento e com características parecidas e independentemente daquilo em que estes possam diferir.
 Então, segundo Piaget, a primeira fase é o estádio sensório-motor, que vai dos 0 aos 18 meses, em que o indivíduo ensaia e desenvolve as suas capacidades motoras e sensoriais, manifesta interesse em manipular objetos e falo de acordo com os próprios interesses; é nesta primeira fase que este constrói noções de objeto e de espaço (onde posteriormente saberá procurar e encontrar os objetos); o individuo passa da indiferença que tinha perante o exterior e o próprio corpo ao interesse pelos mesmos.
 A segunda fase, que vai dos 18 meses/ 2 anos aos 5/ 6 anos, chama-se estádio pré-operatório em que se dá o aparecimento da função simbólica na criança, ou seja, ela começa a usar o corpo para expressar aquilo que quer; posteriormente desenvolve a capacidade verbal e vai largando a “função simbólica” que dá lugar à linguagem; a criança já é capaz de interiorizar as ações que realiza; portanto também consegue explicá-las; como já tem a capacidade de interiorização, também consegue assimilar regras e, como tal, respeitá-las, entrando nos jogos; desenvolve cada vez mais um sentido de curiosidade e deixa de ser egocêntrico, entrando na fase dos “porquês”.
Para a realização deste trabalho interessa-nos, somente, o estádio da representação (ou pré-operatório) e o estádio das operações concretas, pois, apenas nestes são analisados os comportamentos da criança em relação a determinados objetos, ou seja, a sua influência no agir das crianças.
É possível concluir que a interação com o que é exterior à criança é um fator bastante importante para o seu desenvolvimento, podendo ser considerado como um dos mais importantes para a sua progressão intelectual. Assim sendo, o ato de brincar  apresenta grande relevância para a criança, pois desenvolve a sua capacidade cognitiva, isto é, a sua capacidade de adquirir conhecimentos e  a sua capacidade de relacionamento com outras pessoas (quando o tipo de brinquedos o permite) sendo estes dois fatores imprescindíveis para um futuro promissor.
  Mecanismos de Socialização
 Para a interiorização da cultura do grupo a que determinado indivíduo pertence (grupo de pertença) ou deseja pertencer (grupo de referência), é necessário recorrer a certos mecanismos, sendo eles os seguintes:
 Aprendizagem, através da qual são incutidos no indivíduo os valores, as regras sociais, consideradas corretas, e os modelos de comportamento do grupo a que o mesmo pertence. Este processo é realizado através de tentativas, cometendo, por vezes, alguns erros e repetições do que é considerado socialmente correto;

Imitação, que consiste na reprodução dos comportamentos observados sendo, assim, copiados;

Identificação, que se processa quando um indivíduo se identifica com outra pessoa que desempenha determinados papéis considerados importantes. Essa identificação faz com que o indivíduo em causa adquira, progressivamente, esses mesmos comportamentos.
 Agentes de Socialização
 Os mecanismos de socialização são postos em ação por um certo número de agentes sociais privilegiados denominados agentes de socialização. É muito difícil separar a parte de actuação que cabe a cada um dos agentes. Eles são:
  • A Família: tem um papel determinante nos primeiros anos de vida. É aí que as crianças adquirem a linguagem e os hábitos do seu grupo social. Estes primeiros anos de formação são muito importantes na vida dos indivíduos. Normalmente, são os pais a adaptar os filhos à sociedade. Mas na sociedade actual é através dos filhos que os pais têm conhecimento de novos factores culturais. No caso das famílias imigrantes, os jovens desempenham um papel fundamental na socialização dos pais pois são as crianças que facilitam a integração dos seus pais.
  • A Escola: permite à criança entrar num meio social novo que vai ter sobre ela uma influência fundamental. Tem várias funções – além de proporcionar à criança instrumentos de trabalho, métodos de reflexão e conhecimentos que lhe vão ser úteis durante toda a vida, impõe-lhe novas regras e uma disciplina que a liberta parcialmente do meio e completa a sua formação, aprendendo a conhecer os outros e o meio que a rodeia.
  • Os Grupos Sociais: durante toda a vida o homem pertence a grupos sociais e outras instituições que continuam a sua socialização. Mas os meios mais eficazes de que a sociedade atual dispõe são os meios de comunicação. 
 A socialização integra todos os domínios da vida do indivíduo. Os hábitos alimentares, as noções de bem e de mal, os comportamentos físicos, as relações com os seus semelhantes, são os resultados adquiridos e conseguidos deste processo.
 A Socialização como processo de transmissão cultural
 O processo de aprendizagem e educação que se desenvolve no homem desde a infância e na cultura à qual pertence designa-se por endoculturação.
Cada indivíduo através do processo de socialização vai adquirindo e interiorizando crenças, comportamentos, modos de vida da sociedade a que pertence. Contudo, ninguém aprende toda a sua cultura mas está, apesar disso, condicionado à transmissão de cultura que se realiza através dos grupos sociais a que pertence. Além disso, o controlo social que a sociedade exerce sobre o indivíduo leva a que ele não se desvie dos actos e comportamentos padronizados.
 Comunidade e Sociedade
 Comunidade e sociedade são as uniões de grupos sociais mais comuns dentro da Sociologia. Sabemos que ninguém consegue viver sozinho e que todas as pessoas precisam umas das outras para viver. Essa convivência caracteriza os grupos sociais, e dependendo do tipo de relações estabelecidas entre as pessoas, esses grupos poderão se distinguir. A comunidade é a forma de viver junto, de modos íntimos, privados e exclusivos. É a forma de se estabelecer relações de troca, necessárias para o ser humano, de uma maneira mais íntima e marcada por contatos primários. Sociedade é uma grande união de grupos sociais marcada pelas relações de troca, porém de forma não-pessoal, racional e com contatos sociais secundários e impessoais. As comunidades geralmente são grupos formados por familiares, amigos e vizinhos que possuem um elevado grau de proximidade uns com os outros. Na sociedade esse contato não existe, prevalecendo os acordos racionais de interesses. Uma diferenciação clara entre comunidade e sociedade é quando uma pessoa negocia a venda de uma casa, por exemplo, com um familiar (comunidade) e com um desconhecido (sociedade). Logicamente, as relações irão ser bastante distintas entre os dois negócios: no negócio com um familiar irá prevalecer as relações emotivas e de exclusividade; enquanto que na negociação com um desconhecido, o que irá valer é o uso da razão. Nas comunidades, as normas de convivência e de conduta de seus membros estão interligadas à tradição, religião, consenso e respeito mútuo. Na sociedade, é totalmente diferente.
 Não há o estabelecimento de relações pessoais e na maioria das vezes, não há tamanha preocupação com o outro indivíduo, fato que marca a comunidade. Por isso, é fundamental haver um aparato de leis e normas para regular a conduta dos indivíduos que vivem em sociedade, tendo no Estado, um forte aparato burocrático, decisor e central nesse sentido. Uma tendência natural do ser humano é a de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa. Quando uma pessoa se identifica com outra e passa a estabelecer um vínculo social com ela, ocorre uma associação humana. 
Com o estabelecimento de muitas associações humanas, o ser humano passou a estabelecer verdadeiros grupos sociais. Podemos definir que grupo social é uma forma básica de associação humana que se considera como um todo, com tradições morais e materiais. Para que exista um grupo social é necessário que haja uma interação entre seus participantes. Um grupo de pessoas que só apresenta uma serialidade entre si, como em uma fila de cinema, por exemplo, não pode ser considerado como grupo social, visto que estas pessoas não interagem entre si. Os grupos sociais possuem uma forma de organização, mesmo que subjetiva. Outra característica é que estes grupos são superiores e exteriores ao indivíduo, assim, se uma pessoa sair de um grupo, provavelmente ele não irá acabar. Os membros de um grupo também possuem uma consciência grupal (“nós” ao invés do “eu”), certos valores, princípios e objetivos em comum. Os grupos sociais se diferem quanto ao grau de contato de seus membros. Os grupos primários são aqueles em que os membros possuem contatos primários, mais íntimos. Exemplos: família, grupos de amigos, vizinhos, etc. 
 Diferentemente dos grupos primários, os secundários são aqueles em que os membros não possuem tamanho grau de proximidade. Exemplos: igrejas, partidos políticos, etc. Outro tipo de grupos sociais são os intermediários, que apresentam as duas formas de contato: primário e secundário. Exemplo: escola.
 Contatos Sociais
Podemos definir contatos sociais como as formas que os indivíduos estabelecem as relações sociais e as associações humanas. Uma conversa entre duas pessoas, um aperto de mão, um “bom-dia” ou uma consulta médica são exemplos de contatos sociais, que em função deles, irão surgir as relações sociais e os graus de intensidade dessas relações. Evidentemente, as relações estabelecidas entre duas pessoas que se encontram em um lugar para conversar serão muito mais intensas do que aquelas resultantes da conversa entre um médico e um paciente em uma consulta médica. Portanto, existem diferentes tipos de contatos sociais. 
 Os contatos sociais primários se caracterizam por serem pessoais diretos e com uma forte influência emotiva. Estes são os primeiros tipos de contatos que as pessoas estabelecem, originados das relações entre pais e filhos, irmãos, amigos, etc. 
 Os contatos sociais secundários se diferenciam dos primários pelo fato de serem calculados, racionais e sem influências emotivas. Quando alguém vai comprar pão, por exemplo, a pessoa já sabe que vai haver um vendedor ali e que terá que se comunicar com ele. Essa comunicação, extremamente racional, breve, calculada e sem nenhuma carga emocional é classificada como um contato social secundário.
 INTERAÇÃO SOCIAL
Interação Social é a ação social, mutuamente orientada, de dois ou mais indivíduos em contato.Distingue-se da mera interestimulação em virtude de envolver significados e expectativas em relação às ações de outras pessoas.Podemos dizer que a interação social é a relação de ações sociais.
 Fenômeno cuidadosamente estudado pela psicologia social, originando um novo corpo de ciência que buscou descobrir e estudar as leis e as modalidades dos pequenos grupos, o que inclui dinâmica própria, sua origem e fases desenvolvimentais.
 O aspecto mais importante da interação social é que ela modifica o comportamento dos indivíduos envolvidos, como resultado do contato e da comunicação que se estabelece entre eles. Desse modo, fica claro que o simples contato fisico não é suficiente para que haja uma interação social.
 Os contatos sociais e a interação constituem, portanto, condições indispensaveis à associação humana. Os individuos se socializam por meios dos contatos e da interação social; e a interação social pode ocorrer entre uma pessoa e outra, entre uma pessoa e um grupo e outro.
 GRUPOS SOCIAIS
 Uma tendência natural do ser humano é a de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa. Quando uma pessoa se identifica com outra e passa a estabelecer um vínculo social com ela, ocorre uma associação humana. Com o estabelecimento de muitas associações humanas, o ser humano passou a estabelecer verdadeiros grupos sociais. 
 Podemos definir que grupo social é uma forma básica de associação humana que se considera como um todo, com tradições morais e materiais. Para que exista um grupo social é necessário que haja uma interação entre seus participantes. Um grupo de pessoas que só apresenta uma serialidade entre si, como em uma fila de cinema, por exemplo, não pode ser considerado como grupo social, visto que estas pessoas não interagem entre si. Os grupos sociais possuem uma forma de  organização, mesmo que subjetiva. Outra característica é que estes grupos são superiores e exteriores ao indivíduo, assim, se uma pessoa sair de um grupo, provavelmente ele não irá acabar. Os membros de um grupo também possuem uma consciência grupal (“nós” ao invés do “eu”), certos valores, princípios e objetivos em comum. Os grupos sociais se diferem quanto ao grau de contato de seus membros. Os grupos primários são aqueles em que os membros possuem contatos primários, mais íntimos. Exemplos: família, grupos de amigos, vizinhos, etc. Diferentemente dos grupos primários, os secundários são aqueles em que os membros não possuem tamanho grau de proximidade. Exemplos: igrejas, partidos políticos, etc. Outro tipo de grupos sociais são os intermediários, que apresentam as duas formas de contato: primário e secundário. Exemplo: escola